O
espírito desbravador dos herdeiro dos bandeirantes
paulistas impulsionou, no início do século XIX,
a busca de novas terras, mais férteis e promissoras.
A privilegiada localização e os fartos recursos
naturais motivaram a escolha do local para o início
de um povoado. Os fundadores de Barretos chegaram à
região vindos, principalmente, do Sul de Minas. Atravessaram
o Rio Pardo na antiga Fazenda Santo Inácio e por volta
de 1830, assentaram-se em dois núcleos ?Fazenda
dos Barreto? e ?Fazenda dos Marques?. A
primeira desenvolveu-se a partir do local onde, hoje, encontra-se
o Sanatório Mariano dias, entre os dois córregos
que cortam as cidades. A segunda, teve suas primeiras construções
onde está o atual Largo do Rosário.
Por
volta de 1845, as duas famílias pioneiras resolveram
delimitar uma área comum que recebeu o sugestivo nome
de ?Patrimônio do Espírito Santo?.
A mesma área já vinha servindo como referência
e pousada para viajantes, particularmente comerciantes das
mais diversas e distantes localidades. A delimitação
motivou a construção, logo a seguir, da primeira
Capela e as primeiras casas começaram a surgir ao longo
da atual rua 14. A Paróquia da época organizou
a divisão do ?Patrimônio? em quadras
e datas, formando, assim, uma ?primeira planta da cidade?.
O
povoado começou a desenvolver-se lentamente. A densa
mata que o circundava exigia sacrifícios sobre-humanos
para ser removida. Um acidente natural, no rigoroso inverno
de 1870, alterou substancialmente as condições
de ocupação e desenvolvimento da região.
Após forte geada, um grande incêndio destruiu
significativa área de florestas. Foi o chamado ?Fogo
de 70? que deixou calcinada enorme quantidade de terra.
Com a chegada das chuvas, no lugar da antiga floresta surgiu
uma rica e natural pastagem que criou condições
adequadas para a criação e engorda de gado.
Inúmeras fazendas foram se formando e a atividade pecuária
progrediu rapidamente, em toda a região, tornando Barretos
um centro comercial vigoroso e próspero.
No
início do século passado, importante atividade
agrícola veio somar-se à pecuária. A
cultura do café atingiu a região. As mudanças
vieram acompanhadas de um elemento historicamente ligado ao
desenvolvimento do país: o imigrante europeu.
A vinda e instalação dos europeus, particularmente
italianos, alteraram o ritmo de desenvolvimento assim como
o aspecto e a arquitetura da cidade. Um pouco mais tarde,
chegaram os árabes e as atividades econômicas
começaram a desenvolver-se também no seu aspecto
urbano, unindo o aumento da produção agrícola
ao crescente comércio. Foram expressão tais
transformações as novas técnicas de construção
e fachadas de edifícios que passaram a ser artisticamente
trabalhados. Um gênio da época, o arquiteto Pagani,
foi responsável pela qualidade e beleza do conjunto
urbanístico da antiga área central.
Entre 1900 e 1916 dois acontecimentos marcaram a História
de Barretos e região: a chegada da Ferrovia e da Companhia
Frigorífica Anglo Pastoril. A ferrovia, Cia Paulista
de Estrada de Ferro, impulsionou a atividade produtiva, com
transporte de cargas e passageiros. A Anglo, de propriedade
dos ingleses, gerou empregos e crescimento, tanto econômico
como populacional, instalando, ao lado de suas dependências
industriais, a Vila Operária, um núcleo urbano.
As
duas grandes guerras mundiais ocorridas entre 1914 e 1945,
marcaram, significativa, a evolução econômica
de Barretos com o aumento nas exportações de
carnes e enlatados. Naturalmente, os reflexos foram rapidamente
sentidos em todos os setores da economia local. Entre os anos
de 40 e 50, o progresso chegou decisivamente nos setores urbanos.
Ocorreram a ampliação dos serviços públicos,
pavimentações, infra-estrutura de saneamento,
energia elétrica e telefonia. O comércio local
passou à condição de pólo do norte
do Estado, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.
Linhas aéreas regulares e pavimentação
asfáltica da rodovia de ligação com a
capital consolidaram, no final de 50, o espírito desenvolvimentista.
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